Crise dos YouTubers - do sucesso à depressão

Crise dos YouTubers - do sucesso à depressão

Marisa Costa
2019-06-19
A profissão da moda começa a gerar problemas. Depois de alcançar êxito e notoriedade, são várias as figuras conhecidas que assumem estar deprimidas e sem ideias de conteúdo.

Faturam milhões por ano, compram artigos de luxo, tem milhares de seguidores e visualizações mas nem tudo é um mar de rosas. O trabalho que poderia ser visto como "um sonho", onde nem sequer era preciso sair de casa, parece agora um quebra-cabeças. O Youtube é um mercado competitivo , o algoritmo muda semanalmente e o desafio em acompanhar estas realidades é constante.

Stress, ansiedade, depressão e burnout são alguns dos problemas que têm vindo a ser enfrentados. Os seguidores exigem mais e a pressão por mais conteúdo leva os criadores a adotarem rotinas de trabalho intensas. Ultrapassam as 8 horas de trabalho diário, expõem maior parte da sua vida e por vezes ficam inibidos de ter as suas próprias escolhas.

Para esta profissão é necessário atrair marcas e manter o canal relevante. É necessário um auto-marketing, se assim o podemos chamar.  Os YouTubers são um dos principais meios de comunicação e influência que existe entre pessoas, marcas e consumidores.

Existem ainda outros amiguinhos: os haters. Estes não descansam. Estão sempre atentos à mínima falha e procuram motivos para fazer críticas e ofensas aos YouTubers.

Para terminar em grande, a polémica do artigo 13. O artigo que defende os direitos de autor. Deste modo é proibido fazer qualquer referência ou apelo a marcas protegidas. Os canais que tem como principal intuito dar a opinião sobre vários produtos estão agora em risco, como é o caso de Ryan, do canal Ryan ToysReview. Um miúdo com 7 anos que ganha cerca de 19,2 milhões de euros por ano. E o que é que ele faz? Apenas desempacotar brinquedos, brincar e dar a sua opinião. 

Para Ryan, não passa de uma brincadeira, mas não é assim para todos. Alguns deixaram as suas profissões para se dedicarem exclusivamente ao canal. Confessam que gostam do que fazem mas é notável o cansaço. Recentemente, alguns YouTubers brasileiros revelaram sofrer com estes problemas. É o caso de Kéfera, do canal 5incominutos, que confessou sofrer de uma crise de identidade. Reprimiu-se de algumas mudanças pessoais com receio de ser ofendida.  Whindersson e Felipe Neto revelaram também sofrer de depressão.

De facto o YouTube é mais complexo do que aquilo que parece: o público está sempre à espera de conteúdos inovadores e não perdoam a mínima falha. Talvez isto explique o panorama atual e os níveis de ansiedade que os YouTubers têm sentido.